terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dos bons momentos

Companhia. Abraço apertado. Suspiro. Preguiça no corpo e falta de hora para levantar. Planos? Nenhum ou talvez uma cerveja. Obrigações? Não. Só o dia inteiro que se descortina desde a noite promissora…

Um cheiro no corpo, um perfume na memória. Um beijo no pescoço e um sorriso. Delícias partilhadas. Não há promessas, não há certezas. Há o ontem, o hoje, o agora, o instante, o momento. E esse momento enche a minha vida inteira.
Tudo então é possível. Até ser feliz. Mesmo por alguns instantes.


**Achei este pequeno texto (no meu 'arquivo morto') que foi escrito dia 08/01/2009 para um quase ficante, que virou ficante, depois tornou-se namorado e depois... Ah! O depois não importa, o início do 'relacionamento' rendeu isso ai.

Das coisas que eu quero...

Hoje eu quero te bater, te arranhar, enfiar sua cara falsa no vaso e dar descarga. Quero te balançar e agitar até você sentir vontade de vomitar. Quero ver um carro te jogar pro alto enquanto você atravessa a rua. Quero ver você sofrendo de dor com uma ferpa inflamada no cantinho da unha do dedo da mão que escreve. Quero ver você indo mal nos estudos e ganhando inimigos mortais na faculdade. Quero que suas coisas caiam do seu bolso quando você atravessar a passarela. Quero que perca aquele arquivo importante do seu computador sem ao menos ter a chance de salvar.

Quero que na cidade onde for passar o carnaval chova. E chova muito, a ponto de não ter como sair de casa. Quero que aqueles que você considera ser seus amigos te abandonem. Quero que perca essa droga de estágio que você chama de emprego. Quero que ninguém te deseje. Que você não consiga transar com ninguém. Fazer amor? Muito menos. Quero que broche apenas. Quero que perca um dente, que ganhe quilos e mais quilos.

Quero que suas viagens programadas dêem errado. E que perca a hora todos os dias. Quero que chore muito e que fique horas rolando na cama tentando dormir. Quero que lembre de alguém que te conforte quando cada uma dessas coisas acontecer. Quero que esse alguém seja eu. Quero você de volta pra mim.


Adriane Assis

domingo, 7 de agosto de 2011

Pimenta nos olhos dos outros

Vai que ela resolve me atender? Acho que não custa nada. Já passou tanto tempo e... não acredito que ela seja tão rancorosa a ponto de não querer conversar...
Tuuu. Tuuu. Tuuu. (Tom do telefone)
_Oi.
_Aaaah... éééé... Ei! Tudo bem?
_Tudo. Mas quem tá falando?
_Éééé... Marcos. 
_Que Marcos? O único Marcos que eu conheço não tenho mais cont...
_Sou eu mesmo! Acho que precisamos conversar... Eu tenho taaantas coisas pra te falar... Não queria ter perdido sua amizade e...
_E que eu não quero saber de você, fracassado! Terminou com a namoradinha ou foi ela quem terminou com você?! Cara de pau! 
_Mas é que passou tanto tempo, não achei que tivesse tanta raiva assim. Eu queria esclarecer as coisas! É sério e...
_HAHAHAHA Ainda tenho raiva sim! E que como eu já disse, NÃO QUERO SABER DE VOCÊ! Quero que se exploda, você e a sua culpa! 
_ Então... descul...
_Tum, tum, tum... 
Silêncio e tristeza.
Sentado na cama, o amigo olha curioso:
_E ai cara! O que aconteceu? 
_E ai que ela nem quis conversa. Disse que sou um fracassado e tals...
_Cara, não entendo. O que afinal você fez com ela pra esse ódio não ter passado depois de taaanto tempo? Faz uns 3 anos já... e é normal as pessoas esquecerem...
_Ah... é que... Eu dormi com a melhor (ex) amiga dela. A Ju era a melhor amiga dela... aconteceu... 
_Porra cara! Como você faz uma coisa dessas? Pô! A mina gostava de você pacas! E a Ju? Nunca pensei... agora entendi porque vocês não contavam como se conheceram... A Ju também é maior piriguete né?! Eu já tinha percebido isso, desculpa te falar só agora. Aquela cara de santa nunca me enganou!
_É, eu sei... (choramingando). Também só fui perceber que a Ju não prestava agora, antes de terminar com ela. Por isso resolvi ligar pra Nath... Queria pedir desculpas, sei lá. Eu nem gostava da Ju de verdade. Ela só era uma companheira... a Nath sempre foi 'a' namorada, sabe?!
_Não adianta chorar! Agora é correr atrás. Sei lá... manda flores, vai no trampo dela... tenta conversar pessoalmente. Te apoio em qualquer decisão. Talvez ela entenda! Se eu fosse ela, te perdoaria... passou! Errar é humano!
_Ah! Fico feliz com seu apoio Rafa! 
_Pode contar velhinho! Você é meu amigão e amigos são pra essas coisas!
_Porra! Valeu mesmo! E... já que você disse que passou tanto tempo... eu queria te contar uma coisa, e espero que você me compreenda.
_Claro! Pode falar!
_Eu dormi com a Rê (gente, a Rê é a namorada do Rafa!) na sua festa de formatura... (tampa o rosto com as mãos) Glump!
Barulho. Coisas saltando pelo ar. Sangue. Dentes caindo. 
Alguém voa pela janela.
Adriane Assis

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Conversas de metrô

Entre a leitura de um livro, o barulho do metrô nos trilhos e alguns cochichos, foi possível ouvir algumas partes de uma conversa entre duas moças; uma loira e uma mulata.
A mulata contava a amiga sobre sua última decepção amorosa e o quanto naquele momento ela estava magoada com o farsante, seu último namorado que após três anos de namoro e alguns planos futuros, se enrabichou por uma 'menina', 8 anos mais nova que ela (que aparentava ter seus 30), terminou o namoro afirmando não ter nada haver com outra mulher, mas assumiu publicamente o novo relacionamento 10 dias depois do término. Engraçado como me identifiquei com a história. Mas o mais engraçado é como eu lido hoje com isso. Na verdade é como eu espero que aquela moça tão bonita sinta-se daqui uns 6 meses. O que aconteceu comigo  naquele ano (2009) me fez sofrer de forma desesperadora. Questionei a Deus porque aquilo estava acontecendo comigo. Entre uma conversa e outra, entre releituras de mensagens antigas, vendo fotos que me pertubavam, pude juntar provas suficientes de que aquilo (a traição) estava acontecendo há muito tempo e só eu (cega de amor) não enxergava. Foram muitos avisos, mas eu não compreendia. Então agora, amando, bem resolvida e amada como estou, pude perceber que dentro daquela relação eu não fui a trouxa. Fui fiel, amei e me dediquei como pude. Aconteceu porque o fraco era ele, que não soube levar uma relação a sério e preferiu ficar com uma 'menina' sem graça e bobinha, do que continuar comigo. E o que eu sinceramente sinto é dó. Foram 6 meses de muita peleja, pra perceber que Deus preparou pra mim algo muito melhor, tanto afetiva quanto materialmente. Foram 5 meses sofrendo e 1 mês pra esquecer completamento o outro. Foi 1 mês para que uma pessoa superasse todas as minhas expectativas. Hoje tenho um companheiro que coloca no chinelo, todos aqueles que de alguma forma me fizeram sofrer, e de certa forma, o último antes do atual, fica abaixo da sola do chinelo em todos os quesitos. Foi nisso que fiquei pensando enquanto entre uma virada de página e a parada de uma estação, a moça contava sua 'trágica' tristeza para a amiga. Pensei em dizer pra ela não se preocupar. Pensei em contar tudo que também aconteceu comigo só pra dar uma animada nela. Pensei em várias coisas e depois despreocupei-me. Daqui um tempo, ao ouvir falar o nome dele, seu coração não vai bater forte, não haverá necessidade dela 'fuçar' a vida do casal na internet, ela vai se lembrar vagamente com indiferença daquele que um dia ela amou e lhe fez mal, e melhor, ela vai encontrar um amor que a ame e seja respeitoso. Afinal, Deus sempre reserva algo de melhor pra gente.


Adriane Assis

terça-feira, 31 de maio de 2011

A caixa de papelão

Na minha infância, toda vez que chegava uma compra na caixa de papelão, eu não pensava duas vezes pra desmanchar aquele emaranhado de grampos e fita adesiva e escorregar no pequeno 'morrinho' de acesso do portão até a porta da sala de casa.

Minha mãe sempre conservou bem as coisas, existem móveis de quando eu ainda não era nascida 'decorando' a casa até hoje, por isso, ás vezes o item causava até briga. Era eu pegando tudo quanto é pedaço pra juntar e fazer um que cubrisse todo o espaço. Quando não era possível 'pegar' a obra prima lá de casa, eu  andava meio que bisbilhotando as compras dos vizinhos, então, sempre que um caminhão parava na rua, era esperar no máximo dois dias e lá estava o papelão jogado no passeio esperando o caminhão de lixo passar. E é claro, sempre fui  mais esperta que os garis. 

Meus primos por parte de pai sempre vinham aos domingos nos visitar, e escorregar no papelão tornou-se 'a' brincadeira. A gente colocava o papelão maior como base e os pequenos pedaços viravam os tapetes. Era um tobogã curto, mas delicioso... Dava até um ventinho no rosto.

Passaram os anos, eu cresci, minha irmã do meio também e os vizinhos não renovavam seus móveis. O papelão tornou-se um item escasso na vizinhança.
Então hoje, minha mãe recebeu duas caixas de papelão. Uma do fogão e outra do exaustor (uma troca justa depois de passar 20 anos com os mesmos itens). Suficientes pra várias crianças brincarem de escorregar. 

Quinze anos depois da última vez que escorreguei de papelão, fica mais fácil desmontar a caixa e deixar que o caminhão de lixo leve. Mas não, vou aproveitar minhas férias, escorregar mais uma vez e relembrar a minha infância nunca esquecida.
Adriane Assis

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Receita de melancolia

Quer entrar num universo chamado melancolia


Fique uns seis anos sem apagar seus e-mails. Quando resolver fazer aquela limpeza, veja quanta coisa idiota você mandou e respondeu.


Relembre brigas, discussões de trabalhos da faculdade, veja fotos antigas, vagas de emprego, de estágio; desejos de boa sorte, depoimentos amorosos e ciumentos, pedidos de desculpas, recaídas, mensagens de auto estima ou de falta dela; mensagens de saudade, de raiva, de ódio, de desprezo. Relembre os pés na bunda que já deu ou aquele momento 'fossa' onde você desabafa com sua amiga sobre aquele seu ex que te traiu, te deixou, e ou terminou com você. 

Abra o e-mail de "amizade" daquelas suas amigas falsas que hoje não são mais suas companheiras. Pense no tanto que confiou e foi fiel, lembre-se o quanto foram desleais e fique esperta, pra não agir feito idiota de novo. 
Ria dos comentários de desdém que a ex do seu ex disse sobre você que sua amiga copiou do facebook, colou e mandou pra ler. Encha os olhos de lágrimas ao ver o e-mail carinhoso daquele seu amigo que faleceu. Dê gargalhadas do e-mail que seu ex (na época namorado) mandou pra você reclamando, todo cheio de ciúmes, de um cara que te deixou um recado na página da rede social chamando-a de 'linda'. Gargalhe o suficiente pra compensar que aquele ciúme bobo foi um dos fatores que fizeram vocês terminarem. Gargalhe mais uma vez e mais alto, pra se livrar do arrependimento de nunca ter traído esse tal ex, que de tão canalha, usou esse motivo pra dizer que estava cansado de ver outros caras dando de cima de você e por isso resolveu terminar. Gargalhe ainda mais alto, até acordar a vizinhança, pra não chorar de raiva quando lembrar que antes de vários caras te chamarem de linda, existia uma 'zinha' dando de cima dele. Agora gargalhe até a barriga dar caimbras, só por ter sido burra em nunca desconfiar que enquanto você chorava por ele achando que o erro estava em você, sua amiga mandou fotos dos dois juntos, comemorando aniversário de namoro. Apague o e-mail, as fotos e agradeça a Deus por ter mostrado que ele não presta. Apague o e-mail. Não tem porque guardar coisas que não importam mais, né?!

Assuste-se ao recitar perfeitamente uma declaração de amor feita com a letra da música de Zezé di Camargo e Luciano, de Victor e Léo, de Nando Reis, de Jota Quest, de Adriana Calcanhoto, de Zeca Baleiro, de Paulinho Moska, do Renegado, de Los Hermanos, do Pedro Morais, do Vander Lee... Com certeza você pode montar vários clipes 'românticos' e 'saudosistas' na sua cabeça; afinal, foram essas baladas que envolveram seus muitos relacionamentos... Não apague o e-mail. Serve pra quando um dia você não lembrar a letra de uma determinada música.


Tenha vontade de se matar ao abrir o e-mail com o assunto: 'Fotos da atual' que contém imagens da atual do seu ex: Uma menina feia, sem sal e uns 6 anos mais nova que você. A menina é simplesmente a cara da Lilo Stitch. Naquela época você não acreditava que ele te trocou por ela. Hoje você sabe e tem certeza: Arrumou alguém sem personalidade e tão mediano quanto ele mesmo. Não apague este também. Serve como símbolo de auto estima; tipo aqueles vídeos de motivação: 'Sempre tem alguém em situação pior que a sua' ou 'Você sempre à frente.'

Indigne-se com aquela vaga de estágio que você deixou passar porque o salário era baixo, ou porque você não falava inglês, ou simplesmente porque você tinha medinho de deixar sua chefe na mão. Indigne-se mais ainda ao perceber que ela nunca esteve nem ai pra você. Apague também esse e-mail e nunca esqueça a lição. Aliás, tá frequentando direitinho o curso de inglês?

Fique puta com aquela gorda beiçuda que te mandou um recadinho desaforado dizendo que você fez algum serviço errado, sendo que a errada era ela. Agora respire fundo, abra os olhos e acorde. Você foi pra frente, ela continua carregando a carga. #trocadilho Este e-mail nem devia estar guardado. Apague já!


Critique mentalmente sobre os seus vacilos... Critique os dos outros também, poxa!
 
Leia tudo e mais um pouco. Leia mais uma vez, reflita e fique melancólica. Sinta saudades de algumas coisas e não morra de ódio de outras. Não deixe que isso altere seu presente. É justamente por isso que a sua vida está do jeito que está. Boa ou ruim? Depende do ponto de vista e do que você fez e viveu no passado.

Depende de como você vive a sua vida.


Adriane Assis

quinta-feira, 24 de março de 2011

Outono



Acordo com aquela preguiça matinal.
Pela janela do meu quarto vejo algumas folhas secas caindo...
Sinto um cheiro de bacon que vem da cozinha. Com certeza minha mãe está a preparar algo.
Ouço o som do vento a rondar o espaço entre o alpendre e a porta de entrada.
Debaixo do meu edredom me abraço e sinto o felpudo pano do pijama.
Escuto a voz de minha mãe a chamar. É o café que está na mesa.
O friozinho é aconchegante e eu não quero me levantar...
Afinal, é outono.


Adriane Assis

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sexta

Então hoje, mais do que nunca eu quero beber um copo de ânimo e comer uma porção de libidinosidade; que é pra relaxar.


Adriane Assis

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Do amor eterno

(...)

_E se eu for primeiro que você?
_Farei uma despedida e cobrirei teu túmulo com as mais belas e coloridas flores...
_E depois?
_Depois vou viver imensamente feliz.
_Feliz? Pensei que morreria de tristeza sem mim.
_Pois então... Eu vivo porque estás presente na minha felicidade. Se eu estou feliz, tu permanece viva.


Adriane Assis 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Chaveiro de coquinho


Ela furiosa.

Ele pergunta: _E então?

_E então o quê?

_Quero saber como vamos fazer com as nossas coisas...

_Agora não existe ‘nossas’ coisas. Existe as MINHAS e as SUAS coisas.

_ Tah... Mas...

_Mas nada! Separei o que é seu e deixei no quartinho de serviço.

Ele caminha até aquele cômodo repugnante e encontra um disco do Ringo Starr.

_Mas eu só encontrei meu disco favorito!? Onde está o restante das coisas?

_Não tem mais nada. O disco foi a única coisa que você comprou

com seu dinheiro.

_Isso não é justo!

_Ah! Não é justo? (aos gritos) EU te tirei da 'pindaíba' depois do golpe que levou da sua antiga namorada! Aquela mocréia te roubou tudo e eu reconstruí sua vida! EU! EU me matei de trabalhar pra te dar conforto! E você me paga com o que mesmo? TRAIÇÃO! Você me traiu e ainda não acha justo??

_Eu disse que foi apenas uma coisa de momento! (e chora)

_Ah! E tem isso aqui também! (joga um objeto em direção a ele)

_Mas esse foi o chaveiro que te dei quando voltei de Manaus!

_É seu! Foi você quem comprou! Aliás, odeio objetos de coquinho! Eles fedem! Não quero NADA que venha de você! Suma daqui!

_Tah... mas não faz isso! É muito importante que você fique com ele.

_Anda! Some você e esse presente tosco!

_Tah... to indo. (lágrimas)

Ele pára na frente do elevador e pensa em tudo que aconteceu. Anda pelo hall do prédio, olha no espelho, chega até a porta e desce o degrau...

Vai até a praça e deita no banquinho por um tempo. Olha pro chaveiro de coquinho e lembra do momento em que o comprou. Os únicos centavos que restaram da viagem. Era como se fosse uma ferida de queimadura tocada. Levanta, anda até a linha do trem e deita ao lado do disco de Ringo Starr. Segura forte o chaveiro de coquinho.

O trem passa.

Adriane Assis


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Carta a Renata Toffoli - A saga de um amigo oculto

Essa carta foi escrita em 2004, quando eu estava no final do 3º ano do Ensino médio.
Escrevi depois de comprar o presente de amigo oculto de uma amiga da época.
Essa amiga, que se chama Renata Toffoli (http://todoaquele.blogspot.com/) , era do tipo de pessoa que comprava todos os penduricalhos fofos/idiotas que via pela frente. Gostava de engenhocas inúteis e AMAVA smilles (aquelas carinhas amarelas que estão sempre sorrindo).
Seus pertences pessoais eram cobertos pelas carinhas sorridentes.
Além da personalidade super engraçada, desastrada e curiosa (extremamente curiosa), Toff era 'muito delicada' comigo (percebam a ironia das minhas palavras). Pisava no meu pé quase todos os dias, apertou minha bochecha quando eu estava recém operada do dente ciso, me vendia barrinhas de cereal engordativas, apertou meu pós operatório de furúnculo e outras 'cositas más'. Um doce de menina! HAHAHA

Leia a história e perceba o quanto eu sofri.

Dezembro de 2004.

Oi Toff!
Será que eu consegui te despistar? Você com essa sua curiosidade aguda me irrita, viu?!
No dia do sorteio do amigo oculto fiquei muito feliz de ter tirado seu nome (não por você, é claro), e sim por que achava que te dar um presente seria a coisa mais fácil do mundo! Afinal, você se contenta com qualquer coisa mesmo... ahahahaha.
Mas me enganei e me irritei muito por causa disso. Na lista de sugestões você pediu aquele tal baralhinho idiota "Madame Nova Era" que eu jurava chamar "Madame Magú" (não sei porque) e disse que o preço era mais ou menos R$ 8,00. QUE MENTIRAAAAAAA!

Aquela "enorme" caixinha custava R$14,00!!!! Que furo no olho! oO
Mas pesquisei um pouquinho e achei seu atual presente; outro baralhinho com o nome de "I Ching", bem parecido com o "Madame" e com um precinho beeem melhor.
Na dúvida e com a pressão que o dinheiro fazia no bolso, resolvi andar mais um pouquinho (Sou pão dura mesmo!).
Continuando...
Não falei o lugar ainda, né?! Estava no Mercado central com a Karine.
Passeando por um daqueles corredores 'cheirosos', me deparei com um objeto estranho, amarelo, com a cara redonda e sorridente... Por curiosidade, entrei na loja (com a Karine), me aproximei e verifiquei o objeto. Advinha o que era? Um SMILLE!
O estranho é que ele tinha uns número que pareciam uma régua no meio da cara. Não entendi e pedi ao vendedor que explicasse:
_É um cronômetro! É só você rodar o rosto e deixar virando. No final ele toca como se fosse um despertador.
Na empolgação, levei o "trem"... bem barato. Dava pra comprar mais um presentinho singelo.
Fui embora pra casa feliz da vida por causa da compra (apesar de não ser pra mim).
Chegando abri aquela coisa pra testá-lo novamente (já havia sido testado pelo vendedor).
Me bateu uma tristeza sem noção! Que presente inútil era aquele!? Pra que você ia querer um cronômetro!?! Só porque ele tinha cara de smille? Que idiota eu fui. =/
No sábado voltei ao mercado com o dinheiro contado para o novo presente. Cheguei na loja do baralhinho, pedi a moça pra embalar pra presente e tirei o dinheiro da bolsa. Quando olhei o valor na tabelinha ( \o/ ) perguntei a vendedora se de sexta pra sábado o preço tinha aumentado.
_É que ajustamos os valores pro Natal. Agora a tabela é essa.
Entristeci e pensei rápido.
Lembrei que minha amiga Carol morava bem perto dali (no quarteirão de trás) e fui até lá pedir que completasse o dinheiro... Cumprimentei o porteiro e pedi que ele a chamasse pelo interfone. Ela não estava!!! Então, numa síndrome de cara de pau, pedi o dinheiro emprestado ao porteiro! Consegui convencê-lo da 'gravidade' do meu problema (graças a minha ótima interpretação dramática) , peguei o dinheiro, saí correndo antes que ele desistisse, voltei na loja e comprei o presente.
Desta vez, bem satisfeita com a compra (agora sim), pensei seriamente em ficar com o smille inútil. Dava pra enfeitar, pelo menos...
Ao chegar em casa, tirei-o da caixa e ele caiu no chão. Desmontou todo e parou de funcionar direito.
MORAL: Eu saí no prejuízo!!!

Obrigada pelos apertos de pós operatório, pisões no pé, longas caminhadas pra comprar coisas inúteis, e principalmente pela sua amizade, pois, se não fosse por ela, eu teria comprado qualquer merda.
Adriane.
****
Final da história:
Toff riu muito dessa carta, adorou o presente e implorou pra eu dar o smille de presente. Todos os participantes, exceto eu, saíram satisfeitos do colégio.
Infelizmente, a pessoa que me tirou, comprou dois brincos beeeeeeeeem barangos pra mim. Se custaram R$3.00 (os dois), foi muito.
O smille (quebrado) está lá em casa; enfeitando a televisão do meu quarto. =P

domingo, 16 de janeiro de 2011

Carta ao Leandro - encostando na parede


Belo Horizonte, 21 de março de 2005.

20:03hs
Queria te pedir desculpas pelo que falei hoje. É mais fácil assemelhar pessoas aos defeitos...
Qualidades são volúveis... se você sente raiva, aquela pessoa não presta. Se você tem vontade de sumir, a culpa é de quem falou algo que não gostamos de ouvir.
Tá, chega de ladainha e vamos direto ao assunto. Percebi que a grossa da história fui eu. Fiquei mal; aliás, "EXTREMAMENTE" chateada com a situação. Sei que extrapolei 'um pouquinho', mas saiba que também me sinto 'a pior pessoa do mundo' quando de maneira sutil, sem que você perceba, me magoa com comentários inúteis e fora de hora. Não tô me fazendo de vítima, nem sendo 'dramática' como você mesmo diz; mas gostaria muito que pensasse no meu lado.
É triste tentar ser perfeita o tempo todo. Ficar linda o tempo inteiro, tentar ser inteligente o tempo inteiro, tentar não ser estressada, ser gente boa com pessoas das quais eu sei que não gostam de mim. Ser companheira o tempo todo. É difícil tentar te agradar.
Pior ainda é tentar fazer você me levar a sério.
Você é grosso, ridículo, meio estúpido e tosco, mas eu gosto de você. Sou apaixonada por você. E você não me dá valor. Não sei se já te disse isso, mas é péssimo ser apresentada como "sua amiga". Eu não gosto disso. Você tem essa péssima mania...Faz isso sempre.
Tenho medo de te perder, mas muito mais que isso, tenho amor próprio.
Na verdade, o que eu quero, é colocar um nome nesse até então 'relacionamento' que ás vezes me faz muito bem e outras, muito mal.
Pode ser que a gente complete 8 meses depois de amanhã. Por isso, me peça pra namorar, POXA!
Ou então, fique sozinho.

Beijos, beijos, beijos.
Adriane.

***
Essa carta foi escrita quando eu ficava com um garoto chamado Leandro.
Tirei do meu envelope de cartas que escrevi mas nunca enviei.
Essa história rendeu muitas coisas boas e também ruins (para ambos os lados).
Depois que escrevi a carta, eu não o coloquei na parede pessoalmente, muito menos brigamos. Nem comentei que a carta existia. E pra quem quer saber, quem pediu em namoro fui eu. Mas como isso aconteceu, fica pra próxima história.
***

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Página virada

Lágrimas. Ela enxuga com as mãos. Vira e dá as costas. Ele sente alívio.
Então houve a separação. Ela contou passos. Chorou mais alguns meses. Sofreu.
Ele também seguiu, viveu as melhores experiências, nunca chorou, mas também nunca a esqueceu. Viveu sua vida normalmente, mas todos os dias ao dormir lembrava-se dela.
O cheiro permanecia na memória. Aquela (agora uma linda mulher), ainda é o seu grande amor.
...
No destino dela, ele é apenas uma página virada.

Adriane Assis

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Consultórios da rede

Dr. Coração,
Como saber se ele esqueceu a ex?
Depois de ver muitos posts com perguntas como essas, resolvi dar a minha opinião.

Filhinha, essa é uma pergunta que todas as mulheres fazem. As atuais podem até nunca tocar no assunto, mas elas pensam. E pensam muito.
Só o fato de você se questionar, já diz o que não precisa de respostas. Ele gosta de você, mas alguma coisa ainda o liga a ex, aquela maldita.

Não existe fórmula de comportamento pronta nesse sentido, mas na dúvida, repare nas atitudes dele.

Alguns pontos são marcantes:

Analise quando começaram a se relacionar. O tempo de luto de um namoro é importante. Claro que é diferente pra algumas pessoas, mas na maioria dos casos, é preciso aproveitar uma certa liberdade para depois tomar rumo em outra relação. Veja bem; se tudo aconteceu pouco depois do namoro anterior dele acabar, é sinal que ele queria fazer ciúmes na ex ou te usar para esquecê-la; ou seja, você pode ter virado a substituta.

Muitas vezes, um programa que pra você é novidade, é fichinha do relacionamento anterior. Te levar pra comer determinados lanchinhos que lembram da ex; talvez você não saiba, mas é exatamente assim que acontece. Ele criou gosto pelas coisas que fazia com ela.

Ele ainda usa os presentes que ela deu e os trata com carinho? Não que um presente da ex deve ir pro lixo, mas usá-lo quando está com você? HAHA
Quando eles namoravam, as redes sociais de ambos eram lotadas de fotos e depoimentos carinhosos. Ele fazia questão de demonstrar o amor dos dois, escrevia legendas homenageando cada momento. Isso não acontece com você? Não tem nem o que falar...
Sentar em determinados locais onde ele costumava namorá-la. Praças e parques são danados pra fazê-lo relembrar dos bons momentos que viveu com a baranga. Então, certifique-se de que ao sentar em uma praça, por exemplo, ele não vai ficar com cara de paisagem. Provavelmente é dela que ele está lembrando.
E os planos? Sabe aquela grana que ele cismou que tem que juntar com você? Ixiii. Isso era idéia da ex.
E as viagens? Todas as que ele tentou fazer com ela e não deu certo, ele vai tentar fazer com você.
Se ele sente raiva, gosta de comentar ou falar mal da ex; logicamente, ainda tem alguns sentimentos que assombram a vida dele. Ou seja, ainda tem alguma coisa no coraçãozinho do love. Mas como cada caso, é um caso, um fato assim só pode ser justificado quando ele foi o traído da vez. Geralmente a mágoa não é um sentimento de alguém que ainda gosta, mas sim de alguém que foi injustiçado. Saiba avaliar pra não achar que só por que ele diz alguma coisa dela, é por que ainda a ama.

Repare nas músicas que ele ouve. Se você, por algum acaso conhece o gosto musical da ex... tome cuidado! No caminho de volta pra casa, no MP3 dele, rola aqueeeelas musiquinhas que embalavam o namoro dos dois.
Ainda tem o fato de que, de alguma forma, ELA o moldou pra ser assim, do jeito que você gosta.
Geralmente os rapazes inexperientes ou imaturos, odeiam falar ao telefone. O seu namorado adora um telefone? Iiiih, aposto que foi a ex que o ensinou a usá-lo como ferramenta básica do namoro. Com certeza até brigaram porque em certa altura do relacionamento, o namorado dava mais importância pra uma ligação do que ela.
De repente alguém comenta que você se parece com ela. Ou então você pode perceber isso. Já viu alguma foto dela, vocês usam o mesmo tipo de roupa...
Sim, ele faz de tudo pra poder tê-la por perto, de alguma forma, mesmo se esse jeito é namorando uma menina ‘parecida’.
A família dele ainda mantém contato com a ex? De fato isso não é bom, mesmo quando é impossível não manter. De certa forma, por mais que todos da casa te tratem bem, ELA vai continuar sendo a preferida.
Se ele a traiu com você, não é impossível que cometa o mesmo erro. Tome cuidado!
Um relacionamento não tem como dar certo se começou errado.
Estes pontos não querem dizer que o namoro de vocês não vai dar certo, é apenas um alerta pra demonstrar que você não é a mulher da vida dele. Alguém só se torna realmente especial quando é único.
Agora, se você é daquelas mulheres que não tem problemas com a sombra da ex, considere-se uma mulher de sorte!
Adriane Assis

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um conto (quase) erótico

Hoje é sexta.

Eu quero sexo selvagem. Faz um tempo que Paola (minha namorada) não se dedica tanto quando o assunto é esse. Ela nem faz coisas eróticas e excitantes. Quero experimentar algo novo. Um corpo carnudo, com formas. Paola é uma linda morena "minguadinha", cabelo castanho, todo cacheado. Parece uma menina de 12 anos. Usa calcinha de algodão o tempo todo. E os sutiãs dela nem me chamam atenção. Fala como criança. Escreve como uma adolescente apaixonada. Tem dias que me sinto um pedófilo. Gosto dela, mas poderia gostar mais; se ela se dedicasse, é claro. Mas especialmente hoje eu quero uma mulher. Quero carne. Quero suor. Quero gritos e gemidos. Quero falar palavrão.
Acabei de dizer que vou dormir mais cedo. Paola não parece ter ficado furiosa, afinal, faz três semanas que não nos vemos nos dias de sexta, e eu preciso 'comer' algo diferente. Disse a ela que é melhor encontrar suas amigas. Se não estivesse com tanta vontade de uma f*da diferente, nunca diria isso. Não gosto muito das amigas dela.
Marquei com dois amigos. Vamos pra mais nova boate da cidade. Um deles tem conhecimento do lugar. Até transou com uma das dançarinas mascaradas. Me contou que lá não trabalha qualquer uma. Segundo ele, as meninas são de primeira qualidade e o sexo também. O que me chamou atenção para o lugar é que o sexo não é pago. As garotas não transam com qualquer um. Toda sexta cada uma delas escolhe um cliente. Espero ser o escolhido, senão parto pra outro lugar. Sexo pago.
Rafael e Cleiton chegaram. Entro no carro. Estamos animados, imaginando como será a noite. Talvez role um sexo grupal. Claro, sem envolvimento gay. Não gosto de homem. Nem tenho vontade. Vamos apenas trocar as garotas. Se elas aceitarem.
Chegamos. O lugar é bem discreto. Nem parece uma boate. Do lado de fora eu vejo uma parede branca e uma porta de ferro pintada de preto. Um tapete cinza na porta. Nenhuma placa.
Somos recebidos por dois homens de terno. Um deles entrega o cartão de acesso. Entramos na boate.
Um corredor escuro com uma luz no final. Estou vendo uma cortina vermelha.
Entramos em uma sala com acrílico preto na parede. Luz baixa e três caixas. Três mulheres lindas e um homem. Deve ser o segurança.
Passamos por uma porta de metal. É um detector. Nosso pertences são lacrados e colocados em pequenos compartimentos de uma parede. Só fico com o cartões de crédito e de acesso no bolso.
Abre-se outra cortina. O lugar é imenso. Muitas mulheres lindas. Realmente meu amigo estava certo. Rafael neste momento conversa com uma linda loira de olhos azuis. Ele sorri cretinamente e nos chama. O nome dela é Raquel. Não trabalha aqui. Foi prestigiar a namorada. Uma das dançarinas da noite. Noto que Cleiton conversa com um segurança.
Cleiton conseguiu um 'pub' na área VIP. Fica do lado direito à frente do palco. Um dos shows está prestes a começar. Raquel senta-se conosco. Ela é hilária. Muito simpática.
Algumas mulheres dançam. A namorada de Raquel é boa profissional. Me chamou atenção, pena ser lésbica. Mas isso não importa; seria bem interessante ter duas mulheres.
As dançarinas provocam. E não pedem dinheiro.
A luz apaga-se subtamente. O palco brilha com uma mistura de luzes azuis.
Entra uma bela morena mascarada. Raquel acaba de dizer que é a atração da noite. Ela caminha até aquilo que hoje chamam de Póle Dance.
A morena dança sensualmente e todos a olham como se fosse a última mulher do mundo.
Me sinto atraído e percebo que aqueles traços são comuns aos meus olhos. Mas deixo pra lá.
Todos, homens e mulheres extremamente excitados. Incrível.
Então ela escolhe Rafael. Não sei como ela pode tê-lo escolhido. Acredito que de onde ela está não dá pra ver quase nada. E me acho mais pinta que ele.
Meu amigo sobe ao palco, troca algumas carícias com a morena. Ela cochicha alguma coisa em seu ouvido.
_Que inveja! grito com a intenção de um sussurro. Raquel conta que a morena se chama Janaína.
Rafael desce empolgado e diz que ela o convidou para um box particular. Cara de sorte!
Ao fim da apresentação, Rafael demonstra ansiedade, parece que nunca transou com uma mulher como aquela. Fui escolhido por duas garotas, são namoradas. Acho que tive sorte.
Aviso meus companheiros que estarei no box 03. É, nessa boate as pessoas transam em boxes.
Depois do aviso, percebo que Rafael se distancia e some em um corredor.
Ainda estava nas preliminares com as garotas quando Rafael entra no box com cara de assustado.
Pergunto o que aconteceu e ele me convida para ir até seu box ver com meus próprios olhos.
Ando devagar e no meio do caminho meus pensamentos se embaralham em perguntas.
_ Será que Rafael brochou? Ou... Não acredito que essa mulher é um homem! Velho, o que pode ter acontecido pra esse cara não estar lá fod*ndo essa mulher?!
Abro a cortina! Janaína dança sozinha. Me aproximo e ela me chama com as mãos...
Ela está nua. Me sinto muito mais excitado do que com as duas garotas. O cheiro dela inebria o ambiente...
Ela acha que sou Rafael e pergunta por que saí...
A voz me assusta...
_Não é possível! penso.
Um feiche de luz cai sobre seu rosto.
Em um instante ficamos os dois com cara de assustado. Me sinto traído.
Janaína na verdade é Paola, minha namorada sem graça.

Adriane Assis

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pra ler e viajar...

Pego um livro e me sento em uma poltrona macia.
A sala é aconchegante e quente.
Ao abrir a capa vermelha, noto uma dedicatória emocionante.
É uma declaração de amor.
Não havia percebido antes. Talvez meu sentimento por ele não fosse tão intenso quanto agora.
Leio algumas páginas. Viajo.
Sinto um calor tomar meu pescoço. É Lucas.
Me perco. Sorrio feliz com a chegada dele.
Deixo o livro de lado, prefiro viajar por aquele corpo.



Adriane Assis

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dos sonhos...

Quero casar.
Sim, com tudo que tenho direito.
Quero entrar na igreja ao som de Los Hermanos.
Quero entrar na igreja vestida com um simples vestido branco (apesar da não virgindade) e segurar um buquê de rosas vermelhas.
Quero uma igreja pequena. Nela só os meus melhores amigos e algumas pessoas da família.
Quero ser cortejada pelo meu noivo. Ser olhada com olhos brilhantes. Ser desejada por ele.
Quero uma festa.
Quero comer e beber.
Quero pular e dançar até meu penteado desmanchar.
Quero no meio da música agitada, olhar pra ele, parar, sorrir e receber de volta um abraço e um beijo.
Quero sair escondida da festa.
Quero apertar a mão dele; poder sentir que é de verdade e que vai durar...
Até eu acordar.


Adriane Assis

Toque de frieza...

Cá estou eu deitada com as pernas entreabertas.
Nua.
Meu corpo carrega milhares de poros arrepiados.
Então ele desliza sobre mim.
Meus olhos fecham lentamente acompanhados de um girar.
São essas mãos quentes que me deixam assim.
Minha mente não acompanha os movimentos do meu corpo.
Suor. Muito suor.
Trêmula.
Lapsos.
Gemidos.
Ele solta o corpo como se estivesse desmaiando sobre mim. Vira de lado.
Dorme.
Fico sozinha com meus pensamentos e percebo...
Cá estou eu deitada com as pernas entreabertas.
Nua.
Adriane Assis

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Promessas de amor

Uma cama. Um dia não muito frio, mas perfeito pra ficarem deitados trocando carinhos.
Depois de um silêncio não planejado, encontraram-se com o rosto colado.
Olhavam fixamente para o olho um do outro.
Enxergaram uma bolinha brilhante. Parecia aquelas que a gente só vê em lentes de microscópio.
Riram e perceberam-se conectados até pelas coisas mais simples. Pelas bobeiras que tornam o dia a dia de duas pessoas, o item relevante pra alimentar o amor.
Ele fechou o sorriso e perguntou quase que sereno:
_Negah, quer ficar comigo pra sempre?
Ela sorriu:
_Infinitamente. E você, quer ficar comigo pra sempre?
_Até a outra encarnação.
Estavam perdidamente apaixonados. E adormeceram.
Adriane Assis


P.S.:Esta crônica é baseada em um fato real. Aconteceu em 12/07/2010.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Conto de amor e inveja

Eu tinha por mim que tudo seria para sempre...
Desde o primeiro dia de aula já estava fascinada por aquele olhar.
Infelizmente ele tinha namorada. E eu tinha inveja dela. Estava estampado na cara dele. Eu o desejava muito, e mesmo sabendo o quanto aquilo era errado, eu não conseguia me afastar. Ficava triste todas as vezes que ele chegava sorrindo por causa dela. Rezei durante todos os intervalos para que ela não fosse vê-lo, e para que ele não saísse do meu lado. Mudei de carteira tantas vezes, até que consegui me aproximar, mais e mais. Ia em todos os encontros dos colegas da sala, na esperança tenra de que ele sentasse ao meu lado. Procurei me informar sobre ele; das coisas que ele gostava eu sabia de cór. Esperava ansiosamente para encontrá-lo. Aos poucos fui tomando um espaço. Fazíamos trabalhos juntos e tinha liberdade de ligar, chamá-lo para sair. Eu o provocava, ingenuamente. Eu não queria atrapalhar o namoro dele, mas sabia o que estava fazendo. O queria pra mim. Só pra mim. Quando percebi, ele já não chegava mais com aquele sorriso no rosto. Rezei tanto que ela quase não aparecia mais para vê-lo. Fui tomando espaço. Acertava toda vez que a namorada falhava. Aliás, eu fazia com que ela falhasse. Eu a provocava. Era um jogo delicioso vê-lo se aproximar. Então eu acostumei com a idéia. Não me importava se magoaria a namorada dele. O importante naquele momento era tê-lo. Fiz a cabeça dele, e ele terminou com ela. Acompanhei a vida da então 'ex' por um tempo. Certifiquei-me que ninguém, muito menos ela estaria na perto dele. Eu ingênua e doce. Cheia de amor e carinho para dar. Ele triste, carente e solteiro. A situação convidava. Ficamos. Meu coração batia forte toda vez que nos víamos. Saíamos, conversávamos. A intimidade aumentava. Meu amor também.
Comemorávamos todo aniversário de... De que? Eu não sabia. Não era namorada. Eu era... sei lá. Ficante fixa talvez. Nem sabia se ele estava só comigo. Afinal, ele mentiu muitas vezes pra ela, na intenção de estar comigo. Podia mentir pra mim também. Azar. Eu estava apaixonada e isso bastava. Mas no fundo sabia que ele ainda, ás vezes ou quase toda noite lembrava dela. Tinha alguma coisa que o incomodava. E eu não entendia por que. Fazia tudo por ele. Me desdobrava em mil para conseguir cumprir minha rotina de escola, trabalho, curso, família, amigos e ainda ter tempo pra ele. Apresentei-o aos meus pais. Deixei que entrasse mais e mais em minha vida. Conheceu meus amigos. Conheci alguns dos amigos dele também. Trocamos presentes.
Continuei apaixonada. Continuei não sendo nada. Comecei a sentir ciúmes dela. Ciúmes da ex. E a inveja voltou também. Ela era linda, uma mulher. Eu era uma menina. Uma menina boba e apaixonada. Soube que depois dele, ela teve vários. Ela podia escolher. Hoje ela namora. Por que eu não? Comecei a questionar. Ela não precisou fazer o que eu fiz para conseguir o homem que desejou. Não destruiu nenhum namoro. Não destruiu nenhum 'possível futuro lar'. Ela tinha homens aos seus pés, um namorado apaixonado e ele. Não de corpo. Mas ele ainda pertencia a ela. Não sei se era amor. Algo ainda o ligava a ela. E por mais que eu me esforçasse, ainda não tinha conseguido ser o que ela foi para ele: namorada, desejo, paixão.

Levei a situação... Foi ai que me assustei. Passado dois anos e meio de relacionamento, próximo a data do nosso baile de formatura, mesmo nunca tendo me assumido de verdade, ele me pediu em casamento. Era para dali mais uns dois anos. E dessa vez tive quase certeza dos sentimentos dele por mim.

...
O buquê chegou. Meu vestido pronto. Eu estava linda. Usava flores do campo no cabelo.
...
As portas se abriram. Ele estava no altar. A igreja era pequena e tinha poucos convidados. Nada muito divulgado. Estava tudo do jeito que ele queria. Sem festa. Sem muita gente. Discreto.
Enquanto o padre falava, escutei passos de salto alto. Me virei devagar pra não criar movimentação da cabeça de mais ninguém. Vi um corpo de belas curvas em um vestido vermelho, pouco acima do joelho. Aquela mulher continuava linda. Estava parada no corredor da igreja e me sorria sexy e sarcasticamente, sem soltar um ruído sequer. Ele percebeu o quanto fiquei atônita e se virou. Seu olhar brilhou daquele jeito; dos tempos de faculdade. Estava hipnotizo e embasbacado. Moveu-se em direção a ela.
Saíram da igreja os dois; (ela um pouco mais a frente) e antes que desaparecessem pela porta, me passou um último olhar e sorriu novamente, como se quisesse dizer: _Estou levando o que me tirou e é meu por direito.
E a igreja ficou enorme. Minha vergonha e tristeza também. Sentei-me no altar e senti ser acolhida por meus familiares. Chorei.
E continuei sentindo inveja dela.


Adriane Assis