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terça-feira, 4 de maio de 2010

"O trabalho é, o pai do prazer."


Tudo começou assim...
(...) então ele tirou a sua blusa. Beijou e mordeu com ardor os seios daquela moça. De tão pequenos cabiam na palma de sua mão. Ele não se importou; era prazeroso sentir que eles recheavam também a sua boca. Apertou firme a cintura dela. Dedilhou. Seu nariz percorreu por todos os contornos que aquele corpo moreno apresentava. O cheiro era delicioso e inebriante. A sua língua quente a fazia arrepiar... e seus pêlos pareciam um capinzal a levantar com o vento.
Com leveza ela arranhava sua barriga e respirava profundamente em seu ouvido. Pareciam uma pessoa só. (...)
Naquele movimento de vai e vem os olhos dele apreciavam a beleza dela. Não podia imaginar uma mulher com traços tão bonitos e personalidade tão forte. Ele não a conhecia direito, mas pelo olhar e gestos percebia que ela era assim.
O corpo dele esquentou. Suas pernas estremeceram. Ela olhava com sagacidade. Era um prazer ver aquele rapaz delirando. Levantou. Sorriu maliciosa e ironicamente.
Dirigiu –se até a penteadeira. Pegou um cigarro ainda o observando. Ele demonstrava cansaço e felicidade infortúnia.
_São 300,00 reais. Ela disse.
Jogou as roupas sobre o rapaz, que se vestiu, pagou e saiu.
Ela gritou:
_Próximo!
E...
Tudo começou assim...
Adriane Assis


(Título da crônica é uma frase abreviada de Voltaire:
"O trabalho é, na maioria da vezes, o pai do prazer.")

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Teste de consciência

O que ele (a) te causa?

[ ] Frio na barriga
[ ] Desejo
[ ] Saudade
[ ] Vontade de deitar junto
[ ] Vontade de gritar o quanto sou feliz com ele (a)
[ ] Falta de paciência
[ ] É só uma boa companhia

Se você marcou (mentalmente) as 5 primeiras alternativas:

Por que está ai parada (o) ao invés de assumir literalmente essa relação?
[ ]
Medo
[ ] Gosto de outro (a)
[ ] Me sinto insegura (o)
[ ] Não gosto o suficiente
[ ] Relacionamento amoroso descompromissado (só existe carinho)
[ ] Não quero que ninguém fique sabendo
[ ] Já disse que ele (a) é só uma boa companhia

Resposta: O teste é simples. Se você ainda parou pra pensar nas respostas da segunda questão é porque existe ai no seu coraçãozinho, algo que impede de assumir seu amor. Se é que existe amor. A gente assume a pessoa quando gosta. Não importa quem vai saber, se o (a) ex vai brigar, se seus pais vão reclamar, se seus amigos são contra ou se seus irmãos o (a) odeiam. Ou você está apaixonado, ou não está. No amor não existe meio termo. O amor não é discreto. O amor requer propaganda. Quando se está feliz a gente quer contar o motivo da felicidade. Não confunda boa companhia com amor. Não confunda amizade com amor. Não confunda tesão com amor. Não confunda sede de vingança com amor. O amor é mais e melhor que isso.

Assuma.
Adriane Assis

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Libido

Dois corpos de pé.
Calor. Cheiro. Presença. Corpo e alma.
Beijos. Sentinela...
Bruscamente virados. Laço.
DESEJO.
Dois corpos deitados.
Calor. Cheiro. Presença. Corpo.
Língua. Suor.
Abruptamente selados. Encaixados.
SEXO.
Um corpo sozinho.
Frio. Lembrança. Solidão. Alma.
Silêncio. Vontade.
Repentinamente abandonado. Largado.
ILUSÃO.



Quando ele chega

Virgínia está deitada seminua na cama.
Carlos tira a roupa. O cheiro de seu suor entranha nas narinas dela.
Carlos vai tomar banho.
Virgínia sente uma vontade louca de fazer amor. Ela espera. Espera. Espera.
O fogo aumenta.
Carlos sai do banho.
Virgínia o enxuga. Virgínia é que precisa se enxugar. Está encharcada. Virgínia cheira Carlos. Carlos se excita. Carlos de off vai pra on.
Ele joga pro lado a toalha.
Conectando.
Encaixe.
Plug.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um dos Contos de amor rasgados

“Beije-me”, pedia ela no amor, quantas vezes aos prantos, a boca entreaberta, sentindo a língua inchar entre os dentes, de inútil desejo.
E ele, por repulsa secreta sempre profundamente negada, abstinha-se de satisfazer seu pedido, roçando apenas vagamente os lábios no pescoço e rosto. Nem se perdia em carícias, ou se ocupava de despir-lhe o corpo, logo penetrando, mais seguro no túnel das coxas do que no possível desabrigo da pálida pele possuída.
Com os anos, ela deixou de pedir. Mas não tendo deixado de desejar, decidiu afinal abandoná-lo, e a casa, sem olhar para trás, não lhe fosse demais à visão de tanto sofrimento.
Mão na maçaneta, hesitou porém. Toda a sua vida passada parecia estar naquela sala, chamando-a para um último olhar. E, lentamente, voltou à cabeça.
Sem grito ou suspiro, a começar pelos cabelos, transformou-se numa estátua de sal.
Vendo-a tão inofensivamente imóvel, tão lisa, e pura, e branca, delicada como se translúcida, ele jogou-se pela primeira vez a seus pés.
E com excitada devoção, começou a lambê-la.

(Marina Colasanti, in: Contos de Amor Rasgados)