sexta-feira, 28 de maio de 2010

De ver estrela cadente...


_Olha! Você viu?
_Vi sim.
_Fez o pedido?
_Hum... não.
_Ora! Por que não fizeste o pedido?
_Porque já tenho o que quero.
... (beijo).
_Você!





Adriane Assis

No potinho...


Vou te guardar no potinho porque...




Você me faz rir.
Você é o meu arco-íris depois da chuva e o meu Lobo mau da história da Chapeuzinho.
Você é Atleticano e eu te sacudiria toda vez que falasse mal do meu time.
Você tem um cheiro inebriante e delicioso... de tão agradável me faz pensar loucuras toda vez que o sinto.
Você tem aquela voz meio rouca, gostosa de escutar...
Você é o que eu preciso...
Você é só meu e não quero que seja de mais ninguém.
Você tem o abraço que eu preciso sentir sempre.
Você é o namorado mais lindo do mundo.
Você me faz feliz.


Enfim, se estivesse dentro do potinho...


Adriane Assis

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quero ficar no seu corpo feito tatuagem...

Deitados em uma cama, num domingo preguiçoso...
Ela diz:
_Quero fazer uma nova tatuagem.
Ele:
_Vc já me falou isso. Só não sabe o desenho né?!...
Ela:
_Agora eu sei. Quero fazer uma bonequinha que desenhei segurando uma estrela...
Ele:
_Hum... Por que não faz um morango segurando uma estrela?
Ela:
_Melhor não. Depois vou lembrar de você pro resto da vida.
Ele:
_Ah! Mas essa é a intenção. Lembrar pra sempre!
Ela:
_Prefiro te guardar num potinho.
Adriane Assis

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Conversa com Deus

Ouça. Eu cheguei a questionar as suas decisões várias vezes. Questionamentos que sempre acontecem toda vez que perco um amor. No último fui abandonada, literalmente. Pensei em me jogar daquela passarela perguntando por que você deixou que ele terminasse comigo. Descobri muitas mentiras e por isso passei dias chorando. Novamente quis saber se era castigo, fiquei tentando entender onde eu tinha errado, e se já não tinha quitado todas as minhas dívidas de burradas que fiz no passado.
Procurei e encontrei mais mentiras e hipocrisias de alguém que só pensou em si; e não considerou nada do que lhe foi concedido no tempo que passou comigo. Um alguém frio e sem caráter, do qual hoje sinto apenas pena.
Hoje, depois de 5 meses, agora totalmente recuperada e com o coração cicatrizado; entendo perfeitamente o que o Senhor quis mostrar quando me segurou pra não cometer uma loucura. Entendi por que passei noites chorando e sentindo raiva de duas pessoas que só me traziam tristeza.
Sei que aconteceu por que preparava algo melhor. E compreendo mais ainda quando dizem: 'Deus fecha uma porta mas deixa aberta a janela.'
Minha porta sequer foi fechada; estava apenas encostada e a janela escancarada.
Percebi que não errei em nenhum momento. E que fui sincera sempre. Não havia motivos para tristeza, sendo que estava ciente dos meus atos. É que não era pra ser mesmo...
Escrevo essas linhas apenas para agradecer-lhe por ter me trazido novos amigos, novas companhias, novas alegrias, paixões... para enfim conhecer um novo amor.
Esse amor que hoje me deixa extremamente feliz e com esperança renovada.
Obrigada por sempre incluir coisas boas em minha vida. Obrigada por retirar as que não prestam ou não me servem. Obrigada por me fazer acreditar no amor.
Não sei se vai ser pra sempre. Aliás, aprendi muito durante esses 5 meses. Aprendi que não devo confiar tanto no destino. Ele nos prega peças. Sei que pode acontecer de novo. Apesar de desejar que não aconteça. E se acontecer, sei que vai passar. É só um teste. E eu estou preparada.
Obrigada!
Adriane Assis

P.S: Adriane Star escreveu esse agradecimento escutando 'Elephant Gun - Beirut'. Caso queira sentir a mesma sensação que ela, leia o texto escutando a música recomendada.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lembranças daquela mulher...


Não passava um dia sequer sem recordar algum momento vivido com ela. Sim, era uma mulher linda. A pele do seu corpo era macia e exalava um cheiro absurdamente sedutor. O cabelo encaracolado e escuro como noite de chuva o enlouquecia. Ficava excitado só de imaginar uma de suas mãos enroscada naqueles fios; enquanto a outra em sua fina cintura direcionava-a em sentido ao seu corpo. No pensamento escutava os estalos de quando ele a batia. Ela gostava de apanhar. Transformava-se em uma vadia quando estavam entre quatro paredes.
Aaah, e os dedos? Ela chupava os dedos dele. Não somente os dedos. Chupava outras coisas também. Sabia fazer ‘aquilo’ como ninguém. Ele sentia falta. Das que apareceram depois, nenhuma outra foi capaz de tanta habilidade e eficiência. Aquela mulher não tinha medo. Não tinha nojo.
E o sorriso dela?! Branco e quadrado. Os dentes pareciam ter sido esculpidos a gesso, com algumas falhas, feitas por um aprendiz. Aquele sorriso não costumava se abrir para tudo, mas reluzia felicidade quando ele dizia amá-la.

Foi ele quem terminou a relação. Não existia arrependimento. Estava acomodado ao destino que ele mesmo traçou. Teve medo de se entregar. Ele a deixou porque quis. Se encantou por outra. Preferiu uma ninfeta a ficar com ela. Era quase que a mesma imagem da mulher; alguns anos mais nova e alguma paciência e carinho a mais.
A mulher era marcada por experiências sofridas. A ninfeta era viva. Alegre. A mulher se dedicava. A ninfeta era companheira. A mulher se preocupava. A ninfeta o fazia gargalhar. A mulher ele amava. A ninfeta ele aturava.
Ficou muito tempo preso a imagem da ninfeta. Já a mulher que por muito tempo sofreu, reergueu – se e está mais bela do que nunca. Arrumou um outro rapaz. Quisto que só. Um jovem que a faz sorrir a cada minuto.
Ele sente inveja do rapaz e se morde de ciúme toda vez que lembra que agora ela é de outro. Tem vontade de matá-lo só de imaginar a boca dele roçando os lábios dela.
E então, sozinho e em silêncio, ele senta-se a frente de uma janela clara, e todos os dias à noite procura vestígios... daquela mulher.
Adriane Assis

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Feitiçaria


Entrou no ônibus. Sentou-se no banco ao lado do trocador...
Muitos outros bancos vazios. Podia ter escolhido qualquer outro lugar.
Ela estava de saia. Abriu as pernas vagarosamente.
Procurou chamar atenção daquele que se concentrava em contar as moedinhas do caixa...
Ele olhou de 'rabo de olho'...
Pronto. Foi enfeitiçado.

Ela estava sem calcinha. (...)
Adriane Assis

terça-feira, 4 de maio de 2010

"O trabalho é, o pai do prazer."


Tudo começou assim...
(...) então ele tirou a sua blusa. Beijou e mordeu com ardor os seios daquela moça. De tão pequenos cabiam na palma de sua mão. Ele não se importou; era prazeroso sentir que eles recheavam também a sua boca. Apertou firme a cintura dela. Dedilhou. Seu nariz percorreu por todos os contornos que aquele corpo moreno apresentava. O cheiro era delicioso e inebriante. A sua língua quente a fazia arrepiar... e seus pêlos pareciam um capinzal a levantar com o vento.
Com leveza ela arranhava sua barriga e respirava profundamente em seu ouvido. Pareciam uma pessoa só. (...)
Naquele movimento de vai e vem os olhos dele apreciavam a beleza dela. Não podia imaginar uma mulher com traços tão bonitos e personalidade tão forte. Ele não a conhecia direito, mas pelo olhar e gestos percebia que ela era assim.
O corpo dele esquentou. Suas pernas estremeceram. Ela olhava com sagacidade. Era um prazer ver aquele rapaz delirando. Levantou. Sorriu maliciosa e ironicamente.
Dirigiu –se até a penteadeira. Pegou um cigarro ainda o observando. Ele demonstrava cansaço e felicidade infortúnia.
_São 300,00 reais. Ela disse.
Jogou as roupas sobre o rapaz, que se vestiu, pagou e saiu.
Ela gritou:
_Próximo!
E...
Tudo começou assim...
Adriane Assis


(Título da crônica é uma frase abreviada de Voltaire:
"O trabalho é, na maioria da vezes, o pai do prazer.")

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Teste de consciência

O que ele (a) te causa?

[ ] Frio na barriga
[ ] Desejo
[ ] Saudade
[ ] Vontade de deitar junto
[ ] Vontade de gritar o quanto sou feliz com ele (a)
[ ] Falta de paciência
[ ] É só uma boa companhia

Se você marcou (mentalmente) as 5 primeiras alternativas:

Por que está ai parada (o) ao invés de assumir literalmente essa relação?
[ ]
Medo
[ ] Gosto de outro (a)
[ ] Me sinto insegura (o)
[ ] Não gosto o suficiente
[ ] Relacionamento amoroso descompromissado (só existe carinho)
[ ] Não quero que ninguém fique sabendo
[ ] Já disse que ele (a) é só uma boa companhia

Resposta: O teste é simples. Se você ainda parou pra pensar nas respostas da segunda questão é porque existe ai no seu coraçãozinho, algo que impede de assumir seu amor. Se é que existe amor. A gente assume a pessoa quando gosta. Não importa quem vai saber, se o (a) ex vai brigar, se seus pais vão reclamar, se seus amigos são contra ou se seus irmãos o (a) odeiam. Ou você está apaixonado, ou não está. No amor não existe meio termo. O amor não é discreto. O amor requer propaganda. Quando se está feliz a gente quer contar o motivo da felicidade. Não confunda boa companhia com amor. Não confunda amizade com amor. Não confunda tesão com amor. Não confunda sede de vingança com amor. O amor é mais e melhor que isso.

Assuma.
Adriane Assis

Acabou, boa sorte!

Bip.
Ele pega o telefone.
Mensagem: [tenho um convite pra te fazer. É convite, não tem como recusar.]
Bip.
Ela pega o telefone.
Mensagem: [Também tenho uma coisa pra te falar. Me encontre as 10:00 naquela mesma praça.]
10:00 hs.
Ela: _Eeeei! Saudade de você! O convite é sobre você ir comigo a um show. Mas me fala o que você queria contar.
Ele: _Não te quero mais.
Adriane Assis

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pequeno toque de vingança

Como sempre tudo começa no metrô. Desta vez foi a caminho do metrô. Não, nada de conquistas ou flertes. Posso chamar de uma disputa. Uma disputa e uma vingança; talvez. Senti que foi isso.
Primeiro ele escolheu a mesma roleta que eu, por algum instante demonstrei que ia passar meu cartão. Tudo bem, relevei.
Depois, em um anti – cavalheirismo, um único banco de ferro disponível na estação. Passei pela esquerda; ele pela direita. Senti que correu pra me ultrapassar e alcançar aquele banco almejado por mim. Sentou-se e ainda olhou com ar de: Consegui! Ódio.
Dei de ombros e virei as costas, como quem nem tinha ligado pro acontecido. O metrô chegou. Ao abrir as portas notei que ele havia entrado no mesmo vagão que eu. Vários lugares para sentar devido o destino que tomava. Como um sinal de pirraça, ele escolheu o banco ao meu lado.
Perguntei mentalmente: _Afinal, o que esse idiota quer?
Ao levantar para sair do vagão e seguir meu destino, percebi que o desconhecido fez o mesmo.
Com a paciência no limite e os olhos ardendo por vingança, lancei um olhar furioso e vermelho. _Ah! Ele não sabe com quem está mexendo!
Ele percebeu. Mesmo assim foi copiando meu caminho até a rampa...
Desci, esperei que ele tomasse a frente. Ao chegar nas escadas ele caiu. Olhou pra mim meio que pedindo socorro. Sorri maliciosamente.
Passei por ele.
Não ajudei.
Eu disse que ele não sabia com quem estava mexendo...
Adriane Assis

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Só morangos

Todos os dias a caminho do trabalho ela passava pela quitanda da esquina, apreciava as frutas e escolhia qual ia levar. Tantas opções que, comprava um tipo por dia. Ás vezes levava pra comer no lanche, ás vezes guardava para fazer uma vitamina.
Estava enjoada de todas disponíveis; os gostos e as misturas já não agradavam tanto. Que tal algo novo? Resolveu comprar um pouco de cada. Nem escolheu, confiou apenas no gosto do Sr. Luís Nogueira, dono da quitanda que lhe oferecia as mais apetitosas.
Fez uma salada de frutas; ainda assim estava insatisfeita.
Um belo dia, mudou o caminho do trabalho e mudou também o cardápio. Resolveu experimentar pães, barrinhas de ceral, queijo, bombocados e vários quitutes... em vão.
Aff! Quando seu paladar ficaria realmente satisfeito? Faltava algo para dar mais sabor ao seu dia... Uma fruta com gosto de carinho, talvez.
Depois do trabalho, voltou á quitanda do Sr. Nogueira como se tivesse sido puxada por um imã. Dessa vez reparou em uma fruta pequena. Aquela fruta curiosa. Era vermelho tímido, cravejada de pintinhas verde musgo, com folhinhas verdes que pareciam um chapeuzinho...
Daquela nunca ouviu falar, aliás, já sim; na plaquinha da quitanda dizia "Morangos". Porém seu paladar não tinha experimentado. Tinha antipatia de frutas pequenas.
Ficou curiosa, cheirou uma caixa... simpatizou-se com o cheiro inebriante que invadiu seu pulmão. Comprou duas caixas.
Ao chegar em casa, tomou banho, vestiu um pijama confortável; foi até a cozinha, lavou bem aquelas frutinhas que a encantaram visivelmente. Juntou com leite, bateu por alguns segundos no liquidificador, adoçou com leite condesado.
Pronto!
Dirigiu-se a sua aconchegante sala de TV. Sentou no Puff cor de limão. Virou o copo transparente lentamente, e aquele líquido rosa claro escorregou deliciosamente para dentro de sua boca. Misturou-se com sua língua...
Ela fechou os olhos como tivesse sentindo um prazer quase que sexual. Alguns copos depois, sorriu e adormeceu; feliz. Nem quis escovar os dentes para não perder o gosto bom que ficou tatuado em sua saliva.
Aqueles morangos então foram responsáveis por acordar o paladar e a vida que ela tanto almejava. E no seu cesto de frutas todo dia tem morangos.

Só morangos.
Adriane Assis

terça-feira, 16 de março de 2010

A arte imita a vida

E, de repente…
enjoei do personagem,
não gostei do figurino,
cansei do cenário,
impliquei com a performance
e detestei o texto…
Então,
abandonei o palco
e o deixei ali,
ator doado em cena.
Dei a mão pra outro
e fui viver,
finalmente,
um amor de cinema.

Créditos: Marla de Queiroz ~ http://www.mariafilo.com.br/blog/?p=399

O ciclo do 'aqui se faz, aqui se paga'

_Você vai ver! 'Aqui se faz, aqui se paga!'
Geralmente é isso que se ouve das pessoas quando você sem querer, sem saber ou propositalmente comete uma cagada.
Num primeiro instante a gente acha graça da situação e não passa pela cabeça que alguém vai te forçar a pagar a dívida.
Ai é que você se engana! A cobrança sempre chega. Geralmente é sempre quando a parte machucada foi cicatrizada. Mas antes do acerto final começa o tortuoso e chato 'caminho das pedras social'.
Além de escutar a frase clichê, você é obrigado a conviver com o desprezo e o bico torto de pessoas, que por terem um nível de intimidade tão grande com quem saiu machucado, tomam as dores e sentem raiva de você! Você se torna unicamente culpado pela cagada! E mesmo que se pense 'tô nem ai', esse tipo de situação é como um câncer; vai te corroendo e não faz nada bem.
Por achar que está com a consciência limpa, fingem não ligar. No fundo ligam. Refugiam-se em "novas amizades e, como disse, acham que a consequência da cagada ficou por isso mesmo.
Nem tão menos clichê e mais certa que o 'aqui se faz, aqui se paga' é o famoso e verdadeiro ditado: 'o mundo dá voltas'. Literalmente.
Quando a rotatória chega no ponto zero pra recomeçar seu ritual, pode saber, o inferno começou.
As situações ocorrem de formas variadas. Vai de acordo com o tempo, a relação, a intimidade e o envolvimento que se tinha com a pessoa magoada por você. Não importa quando, o importante é que o seu dia vai chegar. Pra piorar, é certo como a morte; e quanto mais tempo demora maiores são os juros.

Já aconteceu comigo, vai acontecer com você. Não tem erro. Um dia você machuca alguém. Outro dia álguem machuca você. É um ciclo vicioso. Só torça pra que a sua cabeça não pare debaixo dos pés de quem você magoou. Sabe-se lá se ela vai te dar um tapa de luva ou vai esmagá-la.
Mas, como fazer para não entrar ou conseguir sair desse ciclo?
A resposta certa eu não sei. Falo pela experiência que tive. De traumas dos quais ainda não consegui me recuperar, porque mesmo pagando as dívidas das cagadas que cometi e depois de ter aprendido a lição (acho), cobranças ainda chegam na minha caixinha de correios da vida. Algumas com valores bem pequenos, desses que se quitam com uma boa e clara conversa. Outras das quais além de não lembrar, sou obrigada a mexer na poeira das minhas lembranças e resgatar argumentos de defesa.
Pois bem, já traí, já menti, humilhei, desprezei, etc... Paguei por tudo. Paguei sem ter cometido erro também. Cada um na sua medida.
Hoje encaro a vida de outra forma. Mesmo 'sem querer' eu posso cair nesse ciclo vicioso novamente. Mas uma coisa eu sei: NUNCA MENTIR. Por pior que seja a verdade, ela anda de mãos dadas com a mais incrível das virtudes: A DIGNIDADE.
E é por isso que agindo assim, me previno para não correr o risco do mundo dar voltas comigo.

Fica a dica!
Adriane Assis

Relações com o tempo

Tempo.
Por que ele não corre? Saco.
[o encontro]
tic - tac...
Tempo.
Por que passou tão rápido?
[despedida]

Adriane Assis

Indecisão

_Mas o que ele te transmite?
_Ah! Mistério. Fico louca pra saber o que ele está pensando. Muitas das vezes preciso perguntar, e mesmo assim não obtenho as respostas de um jeito claro.
_E isso é bom ou ruim?
_Hum... não sei.
Adriane Assis

quinta-feira, 11 de março de 2010

Das músicas que marcam...



Toda vez que escuto a música 'Yellow' do Coldplay entro em estado de extase. Sim, não posso negar que outras músicas mexem com meu emocional, mas por alguma razão, que eu ainda não sei qual, posso estar muito feliz ou mesmo triste que tenho a sensação de desabafo quando a escuto.
Em minha mente monto diferentes 'vídeoclipes'...
Agora por exemplo, estou com o MP3 no último volume.

Me imagino em uma madrugada quente, andando com minha mochila nas costas... percorro uma estrada de asfalto. Depois entro em uma floresta, dessas que a gente só vê em filme americano. Não muito escuro, o suficiente pra poder seguir. Estou em uma trilha. Apenas as estrelas e a lua iluminam o caminho.
Acho uma clareira, deito no meio dela e começo a pensar na vida. Pras lembranças tristes, uma lágrima. Pras lembranças boas e alegres, sorrisos e gargalhadas que fazem eco em meio ao silêncio da floresta.
Por fim, resolvo levantar e continuar o caminho. Vou sem rumo. Só espero achar algo interessante pra ver. Depois de mais um tempo de caminhada, uma linda vista. Talvez uma das vistas mais lindas que eu possa algum dia chegar a conhecer.
Sento na pedra mais alta afixada no paredão... e assim assisto o espetáculo do sol surgindo no horizonte...

Adriane Assis

segunda-feira, 1 de março de 2010

A vida sem expectativas

Clara sempre foi muito emotiva.
Um dia ela ficou triste. Chorava todos os dias.
Por fora feliz, mas por dentro, ódio e amor se misturavam...
Tentativa de uma nova paixão em vão. Não estava tão feliz com a nova relação.
Ponto final. Lá se vai alguém que não lhe causou tão boa impressão.
Eis que quando menos esperava, e depois de ter decidido não criar expectativas, Clara conheceu alguém especial.
Chegou em um momento oportuno, onde qualquer nova adição de carinho, beijos ou demonstração de afeto era bem vinda!
Clara se envolveu. Sábado passado fez uma semana que ela sente saudade dele, sente tesão por ele e sente isso sem cobrança. Por livre e espontânea vontade.
Clara sente por que quer. Sente sem medo e sem criar expectativas.
Clara acredita, que dessa forma ela pode ser feliz.
Clara hoje não se importa se as pessoas não lhe correspondem. Neste momento, ela sabe que o amor faz bem principalmente a quem o emite.
Óbvio que Clara continua em recuperação. Mas agora só restam resquícios de um amor que lhe trouxe mentira e deixou ódio. Ódio que nem existe mais. Portanto, por ser o sentimento mais próximo do amor, define-se qué se não existe ódio, não existe mais amor.
Enfim, Clara se libertou. Está feliz. Está contente. Está deixando a vida levar sem expectativas; pois essa é a nova forma que Clara tem de lidar com as relações amorosas.
=]
Adriane Assis

Os olhos são coadjuvantes do olfato

Repassarei um truque aos filhos. Como selecionar um brigadeiro.
Nunca compre o doce enorme. Logo se imagina que aquilo deve ter uma latinha inteira de leite condensado.
Na prateleira, é o imperador das bandejas, o pai do quindim, com o formato achatado de capuz. Sua criança babará no balcão, sofrerá um ataque de epilepsia. Por favor, contenha o impulso dela.
Apesar da aparência lustrosa e crocante, coberta de granulado, é uma enganação. Todo chocólatra fareja que é falso. Não pode ser real. Ele vai durar para sempre porque é impossível comer. Na primeira mordida, a arcada perderá seu fio. Procure um moleiro para recuperar a lâmina. É uma pasta com farinha. Até Taiwan seria mais caprichosa na pirataria.

O brigadeiro mais gostoso curiosamente é o pequeno, do tamanho de uma unha. Uma titica. A panelinha guarda lugar para mais dois. Não transmite nenhuma superioridade. Sozinho, não será localizado no mostruário, é uma formiga sendo carregada por uma folha. Depende de lupa, microscópio, pinça. Mas é esse que fará você pagar o dobro e repetir à exaustão. A gana é obturar todos os dentes com seu conteúdo. Com o minúsculo confeito, o desejo vem em caixa alta. Somente a língua trabalha, é quase líquido, desmancha no céu da boca e adoece o pensamento.

Portanto, repassarei também um conselho aos netos. Como duvidar do primeiro encontro. As estrelas não escrevem, unicamente brilham. Ainda temos a expectativa de que ele teria que ser mágico, com efeitos especiais, relâmpagos, tremedeira, suor, frio na barriga. O corpo pescaria a clarividência, estaria certo do destino, pressentiria o casamento no primeiro toque, no primeiro beijo. Seria uma moleza, uma ejaculação precoce, uma tensão infindável.
Abandonaríamos os compromissos pela certeza indomável das pupilas. Em madrugadas de lareira, o par esbaldaria aos amigos de que não houve hesitação, foi uma junção perfeita, um golpe de misericórdia no batimento cardíaco.

Já testemunhei amores avassaladores e cinematográficos que não duraram nem a manhã seguinte. O casal experimentou cenas de porta-retrato na cômoda, com todos os sintomas do cortejo romântico e idealizado: a música parou e as casualidades se moveram secretamente. E os dois não seguiram adiante, pois sequer se esforçaram. O contato inicial pode ser uma droga, a pessoa irritar e bancar a arrogante, cometer grosserias e atazanar a paciência e mesmo assim despertar a curiosidade. Nada mais promissor do que a confusão. A proximidade surgirá pela desconfiança, pelo desafio desagradável, pelas visitas diárias ao ódio, até o momento em que não falará de outra coisa senão dela. Expulsará lentamente os preconceitos e aceitará de que não escolhemos o melhor, mas o necessário. É a insistência que produz o amor, não o deslumbramento.

Paixão à primeira vista não existe com brigadeiro ou com mulheres. Mas cheiro à primeira vista é imbatível. A química não costuma falhar, desde que tenha tempo para misturar os ingredientes.

Texto retirado do blog: http://carpinejar.blogspot.com/

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Aline não esperava

_"Vai! E não olha pra trás..."
Foi isso que Aline escutou daquele ser que foi seu grande amor.
Ela não sabia qual o momento exato que o amor acabou.
Sentiu seus sapatos voarem contra o vento.
Ela não podia olhar pra trás. Nem esperava que fosse jogada fora.
Andou alguns passos.
Recolheu seus objetos e sentou na pedra cinza em cima da grama verde.
Anoiteceu.
Ela continuou ali, com seus sapatos.
Adriane Assis